Maria da Glória Abdo, 75 anos, está desde 1990 no Sindicato dos Bancários. É batalhadora, mãe e avó; e uma defensora ardorosa da regulamentação da profissão de cuidador de idoso. E esclarece: “cuidador de idoso não é empregado doméstico, cuidador de idoso é cuidador de idoso e ponto final”.
Texto: Guilherme Salgado Rocha. Fotos: Alessandra Anselmi
Para ela esse é um assunto imprescindível e urgente, afinal quem cuidará de nós no futuro? Sensibilizada com a questão, desde o ano passado foi estabelecida uma parceria da Associação dos Bancários Aposentados do Estado de São Paulo (Abaesp) com o Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento (OLHE), para os cursos de cuidadores de idosos serem dados na sede da Abaesp.
Segundo ela, “parceria importante para os três braços do trabalho: a Abaesp, o OLHE e os interessados no curso. Mas mais do que isso, importante para os idosos que receberão os cuidados dessas pessoas que estudam e se formam. Estamos reivindicando uma política pública para a profissão. Às vezes acho que as pessoas consideram os cuidadores profissionais que nadam em um mar de rosas, um trabalho tranquilo, sem grandes esforços. É exatamente o contrário, por isso precisam de uma legislação específica que regulamente a profissão”.
Além dela ser atualmente presidenta da Associação dos Bancários Aposentados do Estado de São Paulo (Abaesp), faz parte hoje também do Movimento Idoso Solidário, uma organização municipal ligada à Cáritas, reunindo associações de idosos. Há grupos na Zona Leste e na Zona Oeste.
Em entrevista ao Portal do Envelhecimento, Maria da Glória Abdo fala que os idosos despossuídos têm que se organizar. Diz que também gosta de passear, dançar, namorar, beijar na boca e cuidar dos netos, “mas não podemos perder o centro da discussão, os objetivos que devem nos mover”.
Na Abaesp sua luta consiste em negociar com a CDHU, ao lado do Movimento Idoso Solidário, um plano macro de construção de moradias para idosos. A proposta é que sejam construídas 5 mil casas na região metropolitana de São Paulo em um prazo de 4 anos, sendo mil unidades em cada região. Diz: “com muita alegria participamos da assinatura do contrato entre a Caixa Econômica Federal e o Fórum de Cortiços, a partir do qual 250 famílias serão beneficiadas com casa própria”.
Questionada sobre a sensualidade da mulher idosa, Maria da Glória Abdo declara: “adoro transar. E sou firme: só com camisinha. Muitas mulheres consideram que exigir o uso da camisinha fica ‘chato’, ainda mais quando o parceiro está há muito tempo sem sexo. Ele toma o Viagra e tem que ser depressa. Uma ova! Às vezes o pensamento geral é que as doenças sexualmente transmissíveis passam longe dos idosos”.
Ela considera muito séria a realidade da aids entre os idosos, “especialmente por conta desse descuido, dessa negligência em relação ao uso do preservativo. Aí, na hora da transa, em consequência da timidez em exigir a camisinha, o vírus se espalha”. Por isso, em todas as oportunidades ela alerta as mulheres e os homens também, a respeito da aids e das demais doenças sexualmente transmissíveis.
A versão completa da entrevista de Maria da Glória Abdo será publicada na próxima edição da Revista Portal de Divulgação (edição 32, maio): Acesse Aqui