Inteligência e bilinguismo aliados à longevidade

Como dizem Ian J. Deary, Alexander Weiss e G. David Batty autores da matéria Inteligência para viver mais: “Alguns hábitos, como fumar, são obviamente prejudiciais, mas de forma geral encontrar respostas não tem sido tarefa fácil. Isso porque cada um de nós começa sua jornada de vida em circunstâncias biológicas e ambientais únicas e depois prossegue colocando em prática numerosas opções, muitas das quais podem ter impacto direto sobre a saúde.

 

 

inteligencia-e-bilinguismo-aliados-a-longevidadeNenhum estudo, porém, é capaz de levar em conta todos os fatores – talvez nem mesmo analisar todas as pessoas do mundo seria suficiente para permitir investigações desse porte”.

Entender de que maneira os eventos ou a genética influenciam na saúde de cada pessoa, ainda é um enigma para os pesquisadores. Muitas tentativas são disparadas em direções diversas, algumas interessantes, outras suspeitas e muitas simplesmente deveriam ser ignoradas.

Recentemente, especialistas em psicologia, incluindo Weiss e Deary, têm se unido a epidemiologistas, como Batty, “em busca de pistas que possam prever quais aspectos de fato influenciam o bem-estar e as doenças e antecipam (ou retardam) a morte.

Os pesquisadores explicam: “Geralmente utilizamos séries históricas de estudos em saúde, que abrangem várias décadas. Nesses projetos, centenas, milhares ou às vezes até 1 milhão de pessoas são sistematicamente avaliadas e acompanhadas ao longo de vários anos. Analisando cuidadosamente esses dados, nós e outros pesquisadores descobrimos uma nova forma de prever a longevidade das pessoas: os escores obtidos em testes de inteligência quando jovens”.

Os resultados são, no mínimo, difíceis, até constrangedores, num certo nível “preconceituosos”: “Quanto mais baixo o nível de inteligência de uma pessoa, maior o risco de ela ter uma vida mais curta, desenvolver doenças físicas e mentais com o passar dos anos e morrer de patologias cardiovasculares, suicídio ou acidente. Obviamente não é possível fazer generalizações, mas é surpreendente que baixo nível de inteligência ofereça prognóstico tão forte de fatores de risco bem conhecidos para doenças e morte, como obesidade e hipertensão”.

Como os próprios pesquisadores dizem, “a descoberta essa faceta inesperada da longevidade”, os obrigou a entender quais os fatores, além da inteligência, poderiam estar por trás dessas descobertas. Como exemplo, o nível socioeconômico, o grau de instrução e o tipo de atividade profissional exercida.

Os Estudos e Seus Resultados

Estudos com gêmeos e voluntários com variados graus de parentesco mostraram que os genes desempenham papel importante na determinação do nível intelectual. Em pacientes com histórico familiar de doença cardiovascular, um baixo nível de inteligência pode servir de alerta para que seu coração seja monitorado regularmente. Se a pesquisa revela que pessoas menos privilegiadas intelectualmente têm menores oportunidades de receber avaliação adequada, de se sujeitar a medicação específica e de fazer exames de acompanhamento, esforços precisam ser realizados para envolvê-las nesse tipo de atividade. Como existem várias medidas de inteligência, profissionais da saúde e educadores deveriam ser capazes de intervir precocemente e ajudar os jovens a tomar mais decisões a favor de sua saúde. Também seria útil usar essa informação para preparar programas educativos.

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A Importância Da Educação

Ensinar a crianças e adultos – independentemente de seu nível de inteligência – técnicas para manter um estilo de vida saudável, desenvolvendo bons hábitos alimentares e evitando agentes estressores, poderia diminuir os problemas que se opõem à vida longa e ao bom funcionamento mental. No fim das contas, as descobertas dos epidemiologistas cognitivos encorajam o que todos já sabemos: manter comportamentos saudáveis desde cedo ajuda na proteção contra a devastação da idade.

Entretanto, Ian J. Deary, Alexander Weiss e G. David Batty admitem: “simplesmente ser inteligente pode não se configurar como o ingrediente mais importante da longevidade. Mas agir e decidir como pessoas inteligentes pode ser crucial”.

Bilinguismo

Outra pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Nova York, cujo resultado foi publicado na revista especializada “Trends in Cognitive Sciences” discorre sobre o mesmo tema: “Ter a capacidade de falar mais de um idioma pode ser sinônimo de melhor saúde mental”.

Estudos anteriores já tinham afirmado que o bilinguismo tem um efeito benéfico no desenvolvimento cognitivo das crianças, mas, Ellen Bialystok, principal autora do estudo atual explica o diferencial: “No nosso trabalho, revisamos estes estudos recentes usando os métodos comportamental e de neuroimagens para examinar os efeitos do bilinguismo na cognição dos adultos”.

Segundo Ellen, a necessidade de monitorar duas línguas, a fim de selecionar a mais apropriada para o momento, solicita regiões cerebrais que são críticas para a atenção e o controle cognitivo. O processo pode reconfigurar e fortalecer estas redes de controle da cognição, possivelmente aumentando a chamada flexibilidade mental, isto é, a habilidade de se adaptar a mudanças contínuas e processar informações eficientemente.

A pesquisa também sugere que o bilinguismo melhora a reserva cognitiva, isto é, o efeito protetor que a atividade física ou mental tem sobre a função cognitiva, garantindo um envelhecimento saudável. Esta reserva também é capaz de adiar o surgimento de sintomas nas pessoas que sofrem de demência, o que foi comprovado por estudos mostrando que pessoas bilíngues apresentam sintomas de demência anos depois das monoglotas.

Ellen diz: “Nossa conclusão é de que a experiência de toda uma vida administrando a atenção dada a duas línguas reorganiza as redes cerebrais específicas (envolvidas no processo), criando uma base mais efetiva para o controle executivo e sustentando uma performance cognitiva melhor ao longo de toda a vida. Não seria surpreendente que esta experiência deixasse suas marcas em nossas mentes e cérebros, e agora está claro que o cérebro bilíngue é formatado exclusivamente pela experiência”.

Referências

DEARY, I.J.; WEISS, A. & BATTY, G.D. Inteligência para viver mais. Disponível Aqui. Acesso em 07/04/2012.

AGÊNCIA O GLOBO (2012). Bilíngues raciocinam melhor e têm menos problemas mentais. Disponível Aqui. Acesso em 03/04/2012.

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