Em vídeo da “webtvcn.com” sobre a matéria “A volta dos idosos ao mercado de trabalho”, a jornalista traz diversas experiências de pessoas que viveram alegrias e frustações na aposentadoria e outras que se preparam para uma nova forma de seguir. Para alguns, com mais tempo disponível ou, para outros, dando continuidade a uma rotina de trabalho que lhes pareça agradável e fundamental para um bem viver.
Luciana H. Mussi *
É o caso de Áureo Ameno, 78 anos, jornalista aposentado que ainda se dedica a sua maior paixão: o rádio. Mas ao entrar na aposentadoria teve problemas:
– Fiquei 6 meses parado. Para mim foi uma eternidade. Eu não sabia o que fazer. Aí entrei naquela depressão tremenda e portanto, voltei a trabalhar. Tive que voltar a trabalhar. E estou muito feliz, graças a Deus.
A reportagem alerta que esta situação vivida pelo Sr. Áureo não é novidade. Ele e milhões de brasileiros, até então, não pensaram nos longos anos de descanso. Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, há 4 anos funciona o Programa de Preparação para Aposentadoria, um alívio para os funcionários da instituição. Vitor Guimarães, Diretor do Departamento de Desenvolvimento Pessoal da UERJ, explica:
– A ideia é de que a gente possa criar um momento de reflexão sobre como foi a vida profissional dessa pessoa e esse momento de transição em que ela vai deixar o trabalho com o convívio profissional dos colegas, das amizades, porque não dizer da sua rotina diária e ter uma mudança que normalmente é abrupta. Você hoje trabalhou, cumpriu sua carga horária e amanhã você não cumpre mais isso.
O projeto já ajudou cerca de 100 funcionários da Universidade. A cada semestre 10 encontros. Na programação exercícios físicos, planejamento financeiro e até mesmo empreendedorismo. Tudo para garantir sossego com qualidade. Guimarães conclui:
– Culturalmente, a gente deixa para fazer tudo na última hora. Isso é uma coisa que acontece em tudo. A gente não pensa sobre a…como vai ser depois.
A jornalista conta que as primeiras atividades de ocupação e de bem-estar para as pessoas aposentadas surgiram na Europa nos anos 60. Esse tipo de assistência só chegou ao Brasil alguns anos depois. Hoje no país existem mais de 20 milhões de aposentados e pelo menos um terço desse total ainda trabalha. São homens e mulheres com uma expectativa de vida cada vez maior, tempo de sobra para aproveitar cada momento e porque não, ainda sonham e fazem planos para o futuro. Leda Macedo, servidora pública fala da sua experiência com muito humor:
– Exercer atividades culturais fora os horários que hoje a gente não pode, ir a um cinema às duas horas da tarde, por exemplo…
Já Ana Lúcia Muniz encontra outras vantagens em ter mais tempo livre:
– Eu faço cursos, eu já fazia um trabalho voluntário mesmo quando estava trabalhando e eu continuei esse trabalho voluntário. Acaba te dando vontade de você fazer outras coisas, você ter mais tempo para se dedicar…
Assim a reportagem adverte: Se você já está começando a desacelerar, uma dica que Sergio Narcizo, servidor público dá:
– É um novo começo, são novas oportunidades, você vai ter um pouco mais de tempo para poder buscar outras coisas melhores para você.
E a escolha feira pelo Sr. Áureo, que não deve parar tão cedo, se resume, também com muito humor, em “interessantes perspectivas futuras”:
– Os planos para o meu futuro é continuar trabalhando, morrer trabalhando, chegar lá no céu e perguntar para São Pedro: “Tem alguma coisa para eu fazer aí? Tem algum rádio para eu trabalhar aqui no céu?
É isso aí, cada um trabalha o tempo disponível da maneira que lhe for mais apropriado e agradável. Não vale julgamentos ou críticas, são experiências muito particulares. Mas não importa o que seja: trabalhar, brincar, passear, namorar ou simplesmente jogar conversa fora (ou não). Faça sua escolha e divirta-se; aqui ou no céu, quem pode saber o que São Pedro nos reserva?
Referências
WEBTVCN.COM (2011). A volta dos aposentados ao mercado de trabalho. Disponível Aqui. Acesso em 13/11/2011.