Pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA) “descobriram que uma mudança completa de estilo de vida pode reverter o envelhecimento das células. Eles encontraram indícios de que uma rotina rígida de exercícios físicos, dieta e meditação podem reduzir o ritmo de envelhecimento celular”.
Mesmo que as conclusões não sejam definitivas, é importante ressaltar que essa questão de “mudança completa” de hábitos nunca é fácil e trivial. Devemos encará-la com cuidado, considerando as diferenças, mesmo que sejam pequenos detalhes ou até sutilezas na construção do “jeito de ser” de cada indivíduo.
Nada se transforma da noite para o dia, num estalar de dedos ou como muitos de nós costuma prometer: “Na segunda-feira começo os exercícios, a dieta, serei outro(a)”. Tudo é resultado de um processo.
De qualquer maneira, as pesquisas nos sinalizam possíveis caminhos. O estudo “avaliou 35 homens com câncer de próstata. Aqueles que mudaram seu estilo de vida apresentaram células mais novas em termos genéticos”.
O que diz o estudo
Os pesquisadores observaram mudanças visíveis nas células de um grupo de 10 homens que adotou uma dieta à base de vegetais e seguiu à risca uma rotina recomendada de exercícios físicos. Eles também passaram a fazer meditação e ioga, com o intuito de se livrar do estresse.
Segundo os cientistas, à medida que o ser humano envelhece e suas células se dividem, os telômeros diminuem de tamanho – sua estrutura fica enfraquecida, enviando uma espécie de ‘mensagem’ às células para que elas parem de se dividir e morram. Os pesquisadores sempre se questionaram se esse processo seria inevitável ou poderia ser interrompido ou mesmo revertido.
Envelhecimento celular
Telômeros são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante que formam as extremidades dos cromossomos. Sua principal função é manter a estabilidade estrutural do cromossomo.
Telômeros menores estão associados a uma ampla gama de doenças relacionadas à idade, incluindo cardiopatias e vários tipos de câncer.
O estudo não analisou se as mudanças no estilo de vida e no comprimento dos telômeros tiveram um impacto na evolução do câncer, mas os pesquisadores afirmam que isso ainda será objeto de investigação.
Resultados
Segundo Ornish, “as implicações desse estudo podem ir além de homens com câncer de próstata. Se validado por estudos controlados feitos de forma aleatória em larga escala, essas mudanças de estilo de vida podem reduzir significativamente o risco de uma grande variedade de doenças e de mortalidade precoce”.
“Nossos genes, e nossos telômeros, são uma predisposição, mas não necessariamente o nosso destino”.
Lyn Cox, especialista em bioquímica na Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirmou que não foi possível chegar a nenhuma conclusão a partir do estudo, mas acrescentou: “No geral, no entanto, as descobertas desse relatório de que as mudanças no estilo de vida podem ter um efeito positivo nos marcadores da idade amparam os benefícios pela adoção de hábitos de vida mais saudáveis”.
Especialistas afirmam que a redução do comprimento dos telômeros não é a única explicação para o envelhecimento humano. Humanos, por exemplos, têm telômeros mais curtos do que primatas e ratos, mas vivem mais.
Estudos realizados anteriormente mostraram que pessoas que levam uma vida sedentária podem envelhecer mais rápido, uma vez que seus telômeros diminuem de tamanho a um ritmo também mais veloz.
Mas como evitar o sedentarismo?
Talvez através da educação básica, começando cedo, incluindo os exercícios físicos na rotina diária. Quem sabe transformando-os em momentos de prazer, quanto mais, melhor.
Atualmente são muitos os estudos que demonstram que “praticar atividades físicas com mais frequência e intensidade” só pode trazer benefícios à saúde.
Entretanto um ponto de atenção e análise médica individual é a periodicidade ideal de exercícios para idosos, sobretudo para os que já passaram dos 60 anos.
Essa questão levou um “grupo de pesquisadores da Universidade do Alabama em Birminghan, na Inglaterra, a estudar com que frequência mulheres nessa faixa etária devem realizar atividades físicas. Curiosamente, descobriram que um dia por semana pode ser suficiente para aumentar de forma considerável o nível de força e resistência: mulheres com mais de 60 anos que se exercitam uma vez por semana podem adquirir a mesma força muscular e melhorias cardiovasculares que as que praticam exercícios com mais frequência”.
Tal resultado surpreende, já que “a recomendação de muitos profissionais do esporte e da saúde recomendam praticar exercícios pelo menos três vezes por semana, independentemente da idade”. O que parece mais do razoável, por razões óbvias.
Como diz a reportagem da H & H Discovery Mulher, “a descoberta pode ser um grande incentivo para que mulheres idosas façam exercícios pelo menos uma vez por semana. A recomendação geral é de três a cinco dias por semana, mas o tempo e a disposição para a prática podem ser um grande empecilho. Por isso, os pesquisadores indicam que um programa de baixa periodicidade, composto de exercícios aeróbicos e de resistência física, pode ser o método ideal para mulheres nessa faixa etária”.
Bem, nunca é demais reforçar: antes de iniciar qualquer atividade física, dieta e/ou qualquer decisão de mudança de hábito de vida, procure um especialista que poderá orientá-lo adequadamente, de acordo com suas necessidades e objetivos.
Referências
BBC Brasil (2013). Exercícios e dieta podem retardar envelhecimento das células, diz estudo. Disponível Aqui. Acesso em 18/09/2013.
H & H Discovery Mulher (2013). Praticar exercícios uma vez por semana é suficiente para idosas. Disponível Aqui. Acesso em 18/09/2013.