Enganados, aposentados seguem sofrendo saques

A GVT informa: o número discado não existe”. Esta é a mensagem ouvida por quem tenta entrar em contato telefônico com a empresa Casas Realiza, de Londrina.

Luis de Carvalho *

 

Em novembro do ano passado a Casas Realiza vendeu móveis para aposentados e pensionistas que moravam no Conjunto Mutirão, de Sarandi, e até hoje não entregou as encomendas, embora esteja recebendo mensalmente as prestações.

Sentindo que caíram em um golpe, os compradores não conseguem desfazer o negócio e já se conscientizaram de que jamais receberão os móveis comprados, já que tudo o que conseguiram saber sobre a empresa é que ela não existe mais.

Com lágrimas nos olhos e a fala trêmula, os idosos, a maioria deles bastante doentes, reclamam que não têm a quem recorrer, já que o apoio que buscaram no Procon não ajudou muito e na Justiça receberam a informação que precisam constituir um advogado.

Um exemplo é o casal Honório de Paula Silva, 89 anos, e Benedita Gomes da Silva, 87, que agora vive em uma das casas do Conjunto Mauá.

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Enganados-aposentadosSegundo Honório, ele e a mulher viviam somente de sua aposentadoria de um salário mínimo, mas desde que caíram no golpe dos móveis que o ganho foi reduzido para pouco mais de R$ 300 por mês, o que mal dá para comprar comida.

Honório de Paula Silva, 89, e Benedita Gomes da Silva, 87, caíram no golpe de venda de móveis: empresa sumiu e saques continuam “Já não dá mais para pagar os remédios e a prestação da casa”, lamenta. Neste mês o casal ainda não sabe como vai pagar as contas de água e energia elétrica.

Honório e Benedita foram visitados em novembro passado por pessoas que se diziam vendedores da Casas Realiza e acabaram comprando um guarda-roupas. O que não ficaram sabendo era que o móvel ia custar R$ 3.456 e as prestações seriam descontadas diretamente de sua magra aposentadoria.

Manoel Pereira de Farias, de 83 anos, analfabeto, não entende como acabou comprando um guarda-roupas, uma cama e um colchão por R$ 6.120. “Eles chegaram com conversas que eu não entendia, disseram que aquilo era um programa do governo federal”. Ele garante que não foi ao banco autorizar qualquer desconto em sua aposentadoria, porém, há sete meses que recebe com desconto de R$ 100.

A situação de Manoel é semelhante à da viúva Neusa Rodrigues dos Santos, também analfabeta, que está pagando por uma cozinha, uma cômoda e uma TV de 29 polegadas que ela nunca recebeu.

“A gente já vive com dificuldades, mal conseguindo para comer, e ainda vêm essas pessoas maldosas tirar o pouco que temos”. Ela diz que gostaria de comprar algum móvel para a casa nova em que está morando, mas com os descontos que estão acontecendo em sua aposentadoria não tem condições de comprar nada.

O coordenador do Procon de Sarandi, Alexandre Bacelar Peraro, diz que esteve em contato com o advogado da loja, foi firmado um acordo para que pelo menos fossem entregues os móveis, mas nada aconteceu e deverá ser adotada uma Decisão Administrativa, que resulta em multas para a empresa, no caso de ela existir. Ele diz que as vítimas devem recorrer ao Ministério Público para estancar os saques consignados.

Fonte: Disponível Aqui, 04/06/2011. Foto: Divulgação

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