Alguém consegue imaginar como seriam os vilões da ficção na velhice? Que vida lhes estaria reservada? Com base no ensaio do fotógrafo italiano Federico Chiesa, intitulado “Horror Vacui”, entre uma fantasia e outra e uma boa dose de criatividade, foi possível viajar pela vida destes incríveis vilões e, por que não dizer, seres errantes da vida?
Luciana H. Mussi *
Pensem que tudo que será dito pertence ao campo da ficção, assim como no livro de Jostein Gaarder ,“O Mundo de Sofia” em que um certo comandante ou talvez escritor ou quem sabe Deus, comanda a dinâmica da história e com seu poder e olhar que a tudo vê, concede um final a cada personagem.
Súplicas não serão aceitas. Os personagens nascem sem saber suas verdadeiras origens, quando, subitamente, no desenrolar da história se percebem fictícios, clamam por vida, mas terminam apenas personagens de uma história.
Com nossos vilões não foi diferente.
Na noite de Halloween, aos seis anos de idade, Michael Myers mata brutalmente sua irmã, Judith Myers, após a mesma ter relações sexuais com o namorado na ausência dos pais. Por este ato, ele é enviado ao Sanatório Smith Groove, em Handonfield, onde permanece por exatos 15 anos.
Fugindo do sanatório, Myers volta à sua cidade natal e na noite de Halloween persegue e mata os vizinhos de sua casa abandonada e sua irmã Laurie Strode.
Bem, depois de tanta matança, numa análise para lá de hipotética, é muito provável que Michael Myers esteja há anos internado numa clínica geriátrica, oscilando entre momentos raros de lucidez a insanidade total. Devaneando sobre o que poderia ter sido, caso a perdição não fosse seu destino, o abandonado criança/jovem/velho Michael Myers, ainda espera o reencontro com a irmã pecadora, atualmente mãe de quatro filhos e já no seu “enésimo” casamento. Um homem que se perdeu na correnteza do tempo e que acabou por envelhecer na mais completa solidão da loucura.
Seguindo pela trilha do horror fantasioso, chegamos no mais inteligente dos insanos: Anakin Skywalker, também conhecido como Darth Vader, o personagem principal da hexalogia de filmes Star Wars.
Em uma galáxia distante, longe dos olhos dos humanos, um jovem sagaz e determinado, Lorde dos Sith, superou adversidades e obstáculos para conquistar a galáxia de uma maneira grandiosa.
Como um emissário pessoal do imperador, esse jovem inteligente e ambicioso era símbolo da tirania em todos os mundos centrais e além. Ele comandou uma Nave Imperial, liderou a caça à Aliança Rebelde, supervisionou a construção da segunda Estrela da Morte e foi pessoalmente responsável pela morte de vários Jedis durante a grande expulsão Jedi da Guerra dos Clones. Soldado de preto, piloto estelar, governante, comandante, mestre do sabre, líder, sinistro – todas as palavras que poderiam ser usadas para descrever o Lorde Negro dos Sith. Um legítimo representante da Morte, aquela que chega sorrateiramente, onipotente e soberana.
Seria possível pensar na velhice de Darth Vader? E por que não? Até os brilhantes e maus envelhecem. Mas este intrigante Senhor das Trevas, teria, inevitavelmente como destino, os malefícios das dores provocadas pela pesada armadura, uma certa insuficiência respiratória ocasionada pela máscara sem orifícios e o pior de todos os sofrimentos, a perda do poder e da soberba. Assim encontraríamos uma figura frágil que passa a maior parte de seu tempo rememorando suas conquistas e vitórias na mais completa escuridão da alma.
Iniciamos essa viagem no dia das bruxas, seguimos viagem pelas estrelas e agora aterrissamos em plena sexta-feira 13, precisamente na história do personagem Jason Voorhees do filme Sexta-Feira 13, outro clássico do cine horror.
Conta a lenda que Jason Voorhees, supostamente, se afogara no lago do amor, próximo ao acampamento Crystal Lake por negligência dos monitores que no momento faziam sexo. Pamela Voorhees, sua mãe, era a cozinheira do acampamento. A 13 de junho de 1958, à noite, em um ato de vingança, ela executou os dois conselheiros e mais sete monitores.
Assim, no primeiro filme da série Sexta feira 13, quem matava as pessoas não era Jason e sim Pamela. Porém, uma das monitoras conseguiu decapitar a mãe de Jason enquanto lutava contra ela. Supostamente, Jason encontrou sua mãe decapitada e voltou para aniquilar todos que cruzam seu caminho.
O pobre Jason envelheceu padecendo do Complexo de Édipo. Nos seus delírios ele conversa, recostado no divã, com Sigmund Freud. Busca respostas e não as encontra já que o psiquiatra procura curar nosso matador trabalhando sua angústia do vazio. E, claro, não funciona. Freud não percebe que Jason demencia totalmente mergulhado numa esquizofrenia não tratada. Ele se sente perseguido por jovens monitores com seus ataques brutais e sofre de impotência crônica há anos. O que lhe resta no final da vida? Terminar sozinho num beco qualquer, numa ruela perdida de uma vida que já não é e nem será.

Coloque-as lado a lado no corredor de um hotel amaldiçoado com seus semblantes cadavéricos que você verá o verdadeiro significado do horror. E essa era a intenção do diretor Stanley Kubrick com as irmãs Grady quando dizem: “Venha brincar com a gente, Danny, para sempre”. Ao menino Danny que já foge do pai louco, só lhe resta penetrar no enigmático labirinto do medo.

Sua velhice foi fatal: os sonhos já não o acolhiam mais, o inconsciente fechou suas portas, o consciente cegou, presente e passado já não lhe pertenciam. Restou apenas um futuro cansado, entregue ao vicio do álcool e das drogas.
CHIESA, F. (2012). Como seriam os vilões da ficção na velhice? Disponível Aqui. Acesso em 27/03/2012.