Biomedicina avança no cuidado ao envelhecimento com nova habilitação na área de conhecimento da Gerontologia.
O Brasil avança na qualificação profissional para atender a uma população cada vez mais longeva. Este cenário ganhou ainda mais visibilidade com a escolha do tema da redação do ENEM 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, que colocou o cuidado com a pessoa idosa no centro do debate nacional, reforçando a urgência de políticas e profissionais especializados para lidar com essa transformação demográfica.
A Nova Habilitação em Gerontologia Biomédica
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Em consonância com essa demanda social evidenciada pelo exame nacional, o Conselho Federal de Biomedicina publicou a Resolução nº 397/2025, criando a habilitação em Gerontologia Biomédica. Essa medida consolida o reconhecimento da área como um campo de atuação específico para biomédicos, integrando um contingente de cerca de 100 mil profissionais já habilitados em diversas especialidades pelo país.
Segundo o Manual do Biomédico – Edição Digital 2024, produzido pelo Conselho Regional de Biomedicina da 1ª Região, existem atualmente cerca de 100 mil profissionais habilitados em diversas especialidades espalhados pelo país. Com esse contingente expressivo, a inclusão da Gerontologia como habilitação abre novas possibilidades de atuação.
Ou seja, a inclusão da Gerontologia abre novas portas para a inserção do biomédico no cuidado, na pesquisa e na gestão de serviços voltados às pessoas idosas. Segundo a nova regulamentação, a atuação do biomédico gerontólogo envolve:
a) Integrar equipes multiprofissionais para promover saúde e prevenir agravos;
b) Elaborar e executar planos de cuidado;
c) Realizar avaliação gerontológica ampla;
d) Atuar em diversos contextos, desde atendimentos domiciliares e centros-dia até Instituições de Longa Permanência (ILPIs) e atenção primária.
Além da assistência direta, o campo oferece espaço estratégico para a docência, a pesquisa e a inovação tecnológica aplicada ao envelhecimento humano.
Distinções importantes e cenário Legislativo
É fundamental distinguir a nova habilitação biomédica da profissão de gerontólogo (bacharel em Gerontologia), que possui formação universitária específica — criada na USP em 2005 e na UFSCar em 2009 — e foca na gestão de programas, políticas públicas e educação gerontológica. Pesquisas dessas universidades demonstram que o gerontólogo atua na interface entre saúde, educação e direitos, combatendo estereótipos sobre a velhice.
No entanto, a regulamentação dessa profissão tramita há mais de uma década no Congresso Nacional. O Projeto de Lei do Senado nº 334/2013, de autoria do senador Paulo Paim, foi aprovado em comissão no Senado e enviado à Câmara dos Deputados, onde passou a tramitar como PL nº 9003/2017 (antigo PLS nº 334/2013) e já recebeu pareceres favoráveis nas comissões de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e de Saúde. Mas ainda aguarda regulamentação final.
A aprovação final trará segurança jurídica, inclusão na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e maior acesso a concursos públicos, além de maior cobertura do cuidado em geral às pessoas idosas.
Gerontologia: pilar essencial
A convergência entre a nova habilitação da Biomedicina, a luta pela regulamentação do bacharelado em Gerontologia e o destaque dado pelo ENEM 2025 ao envelhecimento revela um consenso: o Brasil precisa urgentemente estruturar suas redes de cuidado. A Gerontologia, seja como habilitação ou graduação, firma-se não apenas como mercado de trabalho, mas como um pilar essencial para garantir um envelhecer ativo e digno na sociedade brasileira.
Foto de RDNE Stock project/pexels.
(*) Texto escrito sob orientação de Beltrina Côrte – Jornalista, CEO do Portal do Envelhecimento. E-mail: beltrina@portaldoenvelhecimento.com.br
