“Velho com Olhar Novo: a informática redimensionando as relações” é o título da pesquisa de Regina Pilar Galhego Arantes, defendida no mestrado em Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 2000 – sob a orientação da Profa. Dra. Elisabeth F. Mercadante -, quando a internet apenas começava a se popularizar entrando com maior frequência nos lares brasileiros.
Através de entrevistas com homens e mulheres que aprenderam informática após os 60 anos, Regina percebeu os efeitos que o computador exerceu em cada um dos idosos e o seu papel de mediador nos aspectos relacionais desses indivíduos. Sua pesquisa concluiu que os velhos, usando o computador como parceiro, podem ampliar suas oportunidades de trabalho, de lazer, de social, de enriquecimento pessoal, de ensino, de aprendizagem e também à abertura de novas perspectivas que o levam a fazer projetos de futuro. Enfim, redimensionam suas relações, fortalecendo inclusive as relações intergeracionais. É claro que para isso é necessário a objetividade e um propósito firme para concretizá-los. As possibilidades na velhice, independente das ferramentas usadas, segundo ela, dependem do sujeito, do meio que o apoia, de suas condições físicas, dos seus desejos e, acima de tudo, da maneira como se vê e vê o outro.
Por que decidiu fazer mestrado em Gerontologia?
Escolhi a área, porque além de me interessar pela temática, levei em conta minha facilidade em relacionar-me com idosos em geral. Havia sido professora de adolescentes por vários anos e naquele momento pensei em mudar o foco dos estudos para outro tipo de público.
Percebi o interesse de alguns idosos em aprender uma tecnologia nova, que os desafiavam a se renovar para não sentirem-se excluídos, não só no âmbito familiar como no social. Procurei investigar como eles se sentiam antes e após o aprendizado, e o que havia mudado nas suas relações.
Quais os principais desafios que enfrentou durante o desenvolvimento do trabalho?
Na ocasião o maior desafio foi encontrar material bibliográfico da área de informática que se relacionasse com o tema envelhecimento, especificamente.
Que desdobramentos esta pesquisa teve na prática?
Sendo uma pesquisa num campo não muito explorado na época, foi possível participar e coordenar a implantação de um projeto no SESC/Pompeia-SP, de iniciação a informática para a chamada Terceira Idade, e um curso, no mesmo local, sobre o idoso e as novas tecnologias. Proporcionou também, na prática, a oportunidade de debater na mídia, impressa e televisiva, a inclusão do idoso no universo da Internet.
Como avalia a repercussão de sua pesquisa na sociedade? De que forma acha que seu trabalho contribui para uma cultura da longevidade?
Em entrevistas para a mídia, nas palestras, nos cursos, enfim, nos projetos em que atuo, inclusive no próprio Portal onde atuo desde sua implantação em agosto de 2004, tenho a oportunidade de desconstruir a imagem negativa da velhice, redirecionando o olhar social para a valorização e o potencial da população idosa. Tenho, também, a oportunidade de apontar ao próprio sujeito que envelhece maneiras e possibilidades dele viver mais e melhor sua velhice.
O que o mestrado e a pesquisa acrescentaram em sua vida pessoal e profissional?
Possibilitou e viabilizou a participação em projetos interessantes e edificantes, sendo um deles o Condomínio Amigo, trazendo com isso a satisfação pessoal de estar envolvida numa área relativamente nova, que é a Gerontologia, que possibilita interferir e modificar a maneira de tratar o envelhecimento e a longevidade neste século.
Quais foram os passos seguintes ao mestrado em sua vida acadêmica? E na vida profissional?
Na área acadêmica segui como pesquisadora inserida no grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação , certificado pelo CNPq. Participei de uma pesquisa sobre mídia e velhice realizada a partir da imprensa escrita de São Paulo. Na profissional, após especialização em Orientação Profissional, assumi a coordenação de Oficinas de Orientação para Projetos de Vida e Aposentadoria. Participei do Projeto Cine Maioridade, desenvolvendo material pedagógico e capacitando técnicos que trabalhavam nas Organizações Sociais junto aos idosos. Sendo sócia fundadora do OLHE – Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento atuo em alguns projetos dele, como o projeto Condomínio Amigo, e o projeto Cuidar é Viver. No Portal do Envelhecimento , como já comentei, desde 2004 sou responsável pelo link “Contatos”, que responde as questões dos leitores. Coordeno aulas, desde 2005, para um grupo de idosos no Espaço AP Cultural S/P. Escrevo artigos para publicação, ministro palestras, e presto consultoria em projetos que envolvem o envelhecimento.
O que diria para quem está começando a estudar na área?
Gostar de trabalhar com idosos é essencial, para melhor entender suas necessidades e aceitar suas particularidades. Pesquisar e ler muito da área, para adquirir conceitos que sustentarão a prática.
Pessoas interessadas em conhecer um pouco mais sobre esta pesquisa, favor contatar a autora no e-mail: reginaarantes@uol.com.br