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Expandindo as Fronteiras da Longevidade

Vários foram os temas reunidos no evento “Expandindo as Fronteiras da Longevidade”, do Fórum da Longevidade Bradesco Seguros de 2016, realizado recentemente em São Paulo. Diversos especialistas, cientistas e personalidades nacionais e estrangeiras debateram temas e iniciativas na perspectiva da longevidade que vão desde tecnologias, exercícios físicos, organização do tempo, políticas públicas, estratégias para se chegar à velhice, entre outros.

Maria Ligia Pagenotto e Sônia A.M.P.S.Fuentes / Texto e Fotos

“Expandindo as Fronteiras da Longevidade” foi o tema da XI edição do Fórum da Longevidade Bradesco Seguros de 2016, realizado em São Paulo, no dia 5/10. O evento reuniu especialistas, cientistas e personalidades nacionais e estrangeiras para debater temas e iniciativas que contribuam para a conquista da longevidade com saúde, qualidade de vida e bem-estar.

A seguir, um pequeno pout pourri (1) do que foi o evento:

* Uma jovem e uma senhora se apresentam afiadíssimas num número cantante: mãe e filha roubam a cena cantando e dançando a música de Arnaldo Antunes: “Envelhecer” (2)

*Em seguida, Alexandre Kalache (geriatra, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil e copresidente da Aliança Global, que reúne centros de 17 países), chama a atenção para a Revolução da Longevidade – lembrando que o par Desafio & Celebração devem andar sempre juntos. E provoca a plateia: “Estamos preparados”?

Kalache faz uma analogia entre a vida e uma pista de corrida. Chegar à velhice, diz, é como correr uma maratona (o que é bem diferente de enfrentar uma corrida de curta ou média distância). “Para enfrentar uma corrida de longa distância, como uma maratona, é preciso se preparar, traçar estratégias. A mesma coisa para a longevidade: estratégias e preparação constantes são necessárias para se chegar bem à velhice. Para isso, ele aponta 4 pontos capitais que devem estar presentes: saúde, conhecimento, relações humanas e preparação financeira. Acrescenta ainda a capacidade de sermos resilientes ao longo da vida.

*O tempo visto como uma ilusão – e o instante, um ponto de tempo. Essas e outras elucubrações foram abordadas por Luiz Alberto de Oliveira na palestra: “Longevidade, uma questão de tempo.” Oliveira nos leva a uma viagem sobre o tempo e nos lembra do que organizava o tempo de nossos ancestrais: as fases cíclicas da natureza – colheita, inverno, verão. Estações do ano e fases de colheita funcionavam como agentes reorganizadores de nosso tempo e de nossa vida. Atualmente, desconectados da natureza, mas muito conectados com todas as tecnologias, é mais fácil perguntar: em que lugar do tempo nós estamos? O relógio responde – a duas horas do dia 6 de Outubro.

* Tom Kamber, PhD em Ciência Política pela UCNY (University College New York) e Professor de Empreendedorismo Social e Filantropia na Columbia University. Kamber é fundador e CEO do OATS (Older Adults Techonology Services), que já treinou mais de 8 mil idosos em 80 cidades, e também do Senior Planet – fez uma exposição sobre a Tecnologia aliada à Longevidade – um novo tempo, elucidando como a tecnologia pode mudar a maneira como nós envelhecemos. Kamber citou vários exemplos de idosos que tiveram sucesso em iniciativas de empreendedorismo online após adquirirem conhecimento das novas tecnologias. Também apontou a dificuldade que estão passando para dar conta do número de idosos interessados nas aulas, oferecidas pelo OATS. Filas e filas no dia das inscrições dos cursos gratuitos.

No debate, que seguiu com a presença da jornalista especializada em finanças pessoais Mara Luquet, Kalache e Kamber, a conclusão para envelhecer bem parece estar intimamente ligada ao aprendizado com prazer. Para ter uma vida mais interessante no futuro, deve estar presentes: Learning and Leisure (Aprendizado e Lazer).

* Marco Antonio Gonçalves (executivo da Bradesco Seguros) chamou atenção para a necessidade dos jovens menores de 25 anos começarem a participar desses eventos e Fóruns da Longevidade. “É preciso convidar os jovens para integrarem essa discussão sobre o envelhecimento”, diz ele.

* O bloco seguinte contou com a presença de David Sinclair (3), pesquisador, consultor e especialista em políticas públicas para o envelhecimento e mudanças demográficas, e diretor do Centro de Longevidade Internacional do Reino Unido (ILC-UK). Ele ressaltou a importância de se adaptar as novas tecnologias às necessidades dos idosos – novos designs e tecnologias têm sido experimentados pela Google, Trip Advisor, pela Amazon, Ebay e outros tantos. Também participou desse bloco a jornalista especializada em tecnologia Cora Rónai, que apontou a melhoria nas novas resoluções tecnológicas – o que acaba favorecendo novas mudanças visuais e de acesso. As pesquisas apontam que os sites de busca e venda devem se adaptar à turma mais velha, pois eles são potenciais potentes compradores.

*Emilio Takase (4), Ph.D. da USP e professor da UFSC, chegou para lembrar da importância da neuróbica – a ginástica para o cérebro. Takase chamou atenção para o número de horas que passamos sentados trabalhando, e diz que, nessa posição, “o cérebro recebe mensagens que podemos relaxar”. Ele enfatizou a importância de ficarmos mais tempo em pé, mesmo trabalhando. Mostrou novas soluções para o uso do computador. “Trabalhar de pé faz bem não só para a coluna, mas também para o cérebro – que recebe informações sobre como para ‘agir’. Contamos hoje com a inovação de mesas adaptadas para que trabalhemos em pé: as ‘standing desks’, favorecendo assim, uma melhor oxigenação cerebral.”

Takase ilustrou sua palestra mostrando seu acervo de jogos, sua cognoteca (5), com exemplos de material lúdico desenvolvido para desafiar o cérebro – aumentando assim a sua neuroplasticidade. Segundo o pesquisador, o contato com a natureza é também imprescindível para melhorar a capacidade de nosso cérebro. Ele citou a cultura japonesa, que valoriza muito a natureza. “Essa proximidade favorece a diminuição dos estados de estresse e melhora a performance do cérebro.”

Concluindo: ele finalizou enfocando a importância de estimular o cérebro, explorando novas possibilidades de interagir com o mundo de forma diferente. E reforçou os ingredientes necessários para isso: ficar em pé (standing desk), praticar jogos cognitivos e fazer um trabalho regular de respiração, de preferência perto da natureza (your brain on nature).

* Luís Rasquilha (6), nos brindou com uma divertida exposição sobre as “Tendências Globais de um mundo Longevo.” Rasquilha nos convida a pensar no futuro que está ao nosso lado. Compara dirigir um carro com dirigir uma empresa, e aconselha olharmos sempre 90% para a frente e 10% no retrovisor. De que vale vivermos nos comparando com nossos adversários? Nossos concorrentes? Parece tempo perdido, de acordo com seu enfoque. O segredo, segundo ele, é enxergar essa evolução tecnológica e compreender o século XXI – aceitando as mudanças do mundo, um mundo que se tornou instável, exponencial, imprevisível e líquido.

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Toda essa mudança nos mostra que devemos encarar de frente esse diferencial tecnológico. Um mundo que em 2010 tinha 23% das pessoas conectados, contra as 66% de hoje “As tecnologias não vêm sozinhas, trazem grandes transformações, e uma delas é a perda desenfreada de empregos comuns. Perder empregos para os robôs é uma nova realidade”, falou.

Portanto, os cinco drivers, as cinco forças geradoras das mudanças são: força da tecnologia, a globalização, a força da sociedade, as mudanças na demografia e a força da nova geração longeva. Para empreender, é preciso ficar atento a essas forças, a essas mudanças, ter um propósito claro e se perguntar: “O que o mercado não tem?”

Crie um ecossistema, interaja com o cliente, fale rápido, olhe para a frente, e seja inovador, seja criativo e sonhe…

“O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos.” Eleanor Roosevelt

* Para finalizar, o preparador físico Nuno Cobra, a ex-jogadora de basquete Hortência e a atriz (e apresentadora do evento) Ciça Guimarães iniciam uma conversa repleta de controvérsias a respeito do que seria uma boa alimentação. Nuno enfatiza a importância do jejum eventual e do hábito de sair da mesa com fome. Explicita também o quão importante é não beber água durante as refeições – é preciso estimular as glândulas salivares a promoverem saliva e isso ajudaria na digestão. Sua teoria é que o “universo nunca diz não” – e nos alimentamos é da vida, não da comida.

Hortência chama a atenção na disciplina para se manter em forma e na necessidade de se lançar para uma diversidade de conhecimento, se reinventar. “A vida de atleta é curta, se eu não me preparo financeiramente para o futuro, a conta chega rápido”, disse. Ela confessa que se preocupa em estudar e adquirir novos conhecimentos constantemente.

Beber água, ou não; jejuar ou não, estar bem ou não…. seguiu-se o debate até a saída do evento entre a maioria dos presentes.

Mara Luquet lança seu novo livro “O Futuro É” (Editora Benvirá), e presenteia um a um com a novidade.

Notas

(1) Por Dicionário inFormal (SP) em 26-08-2014. Sequência de vários temas reunidos numa única peça. Pode ser basicamente musical, com reunião de músicas diversas, ou em texto, com reunião de diversos temas encadeados.

(2) https://www.youtube.com/watch?v=FblrBhDV30w

(3) www.Ageinplacetech.com

(4) takase@educaçaocerebral.com

(5) www.flownami.com

(6) www.inovaconsulting.com.br

(*)Maria Ligia Pagenotto – jornalista e mestre em Gerontologia pela PUC/SP. Sônia A.M.P.S.Fuentes – psicóloga, mestre em Gerontologia e Doutora em Psicologia Clinica pela PUC/SP

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