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Esperança de cura

Um dos mais conceituados especialistas em câncer, o médico paranaense Paulo Marcelo Hoff, 36 anos, é brasiliense de coração. Encarregado de pesquisa do Departamento de Oncologia Gastro-Intestinal do M.D. Anderson Cancer Center, em Houston (Texas-USA) – maior centro de tratamento de câncer do mundo –, Hoff está no seleto grupo de oncologistas que atuam na descoberta de novas drogas contra câncer de cólon (intestino grosso), um dos tipos que mais têm aparecido em pacientes e mais agressivos. O M.D. Anderson tem o maior orçamento para combate e tratamento da doença. São U$ 2,2 bilhões (R$ 5,2 bilhões) por ano. Requisitado para fazer palestras no Brasil e no exterior, o médico passa férias em Brasília, com a família. “Eu adoro esta cidade. Quero um dia voltar a viver aqui”, afirmou. Paulo Hoff formou-se em 1991 na Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB). Fez residência em Clínica Médica na Universidade de Miami e especialização em Oncologia Clínica e Hematologia no M.D. Anderson. No último ano de estudo, foi convidado a dar aulas. Voltou ao Brasil em 2001, quando chefiou o Núcleo de Estudos em Câncer do Hospital Albert Einstein (SP). Dois anos depois, foi convidado para comandar o departamento de pesquisa no M.D. Anderson. Em entrevista ao Correio, o médico revela boas notícias sobre tratamento e jura que um paciente no Brasil tem as mesmas condições de sucesso que os americanos.

Fabíola Góis

 

Correio Braziliense – Como o senhor avalia o avanços das pesquisas nos últimos anos?

Paulo Hoff – Nos últimos cinco anos ela foi incrementada. Aprendemos quais eram as alterações nas células tumorais que faziam com que elas crescessem, se espalhassem e criassem metástase. E percebemos que havia modificações específicas que podiam ser atacadas. Criou-se o agente de alvo molecular, que ataca essas alterações. Nós ainda não curamos o câncer completamente, mas existem vários tipos que conseguimos curar. Hoje a sobrevida mediana de pacientes com câncer avançado tem aumentado muito. Nos Estados Unidos, curamos em média 60% dos pacientes. O paciente que se apresente com câncer hoje tem mais chance de ser curado do que morrer de câncer. Obviamente essa chance não é a mesma para todos. Aqueles que apresentam câncer em fase inicial têm mais chance de se curar.

Correio – Qual tipo de câncer é mais fácil de ser curado?

Hoff – Câncer de testículo. A pessoa pode ter o câncer metastático (em último grau), que a cura é de 95%. Mas mesmo em tipos que são considerados difíceis temos conseguido avanços significativos. Aumentamos a possibilidade de cura para pacientes com câncer de pulmão, o que mais mata, de cólon (intestino grosso) e de mama.

Correio – O que desafia ainda a ciência?

Hoff – Mesmo com o uso dos agentes moleculares, as células cancerosas têm uma tendência a desenvolver resistência. Em um cm³ de câncer há um bilhão de células. Se matar 900 milhões, ainda sobram 100 milhões, as resistentes. O que temos de fazer agora é criar combinações de medicamentos que destruam essas outras células. Mas já curamos casos que até pouco tempo eram considerados incuráveis.

Correio – Quais?

Hoff – Câncer de cólon, que é cada vez mais comum no Brasil porque tem relação com a dieta e com os hábitos. A pessoa que tinha câncer de cólon há quatro anos, tinha expectativa de vida de um ano. Hoje, passa de dois anos e meio. Em alguns casos de metástase de câncer de cólon, fígado e pulmão, os pacientes são operados e se curam.

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Correio – O que contribui para o sucesso do tratamento?

Hoff – O avanço das medicações. Até 1998, tínhamos apenas um remédio aprovado para tratamento de câncer de cólon. Hoje temos cinco. Desses, dois são extremamente modernos.

Correio – Fatores emocionais contribuem para o aparecimento de câncer em pessoas sadias?

Hoff – É uma visão um pouco equivocada. O câncer é um processo. Não se desenvolve de um dia para o outro, mas em anos. No entanto, quando o paciente tem um tumor e fica deprimido, que não luta pelo tratamento, tem muito menos chance do que aqueles que o enfrentam.

Correio – Por que se tem notícia da morte de mais pacientes com câncer do que antigamente?

Hoff – Na década de 30, no Brasil, a expectativa de vida era de 40 anos. As pessoas não tinham tempo de desenvolver o câncer, que aparece predominantemente com a idade. É lógico que temos as exceções, crianças ou jovens com a doença. Percentualmente, a maior parte dos cânceres se desenvolve depois dos 60 anos. Nossa população está envelhecendo.

Correio – Quem é o grande vilão do câncer?

Hoff – O fumo, que aumenta não só chance de câncer de pulmão, mas de pâncreas e de bexiga. Faz com que o câncer de mama e cólon sejam mais agressivos. Metade dos cânceres no mundo seriam eliminados se as pessoas não fumassem.

Correio – Existe relação do câncer com a hereditariedade?

Hoff – Calcula-se que menos de 10% dos casos de cânceres no mundo sejam puramente hereditários. Existem algumas síndromes que levam ao aumento de alguns tipos de cânceres. Se há incidência na família, as pessoas precisam fazer um estudo genealógico com o médico e já existem exames de sangue que indicam se as pessoas têm risco aumentado ou não. Havendo o risco aumentado, se faz um trabalho preventivo. Isso já existe no Brasil.

Fonte: Correio Braziliense. 21/07/ 2005. Acesse Aqui 

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