A demência é a principal causa de dependência funcional, institucionalização e mortalidade entre a população idosa, e associada a vários fatores de risco como doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e hiperlipidemia, além dos fatores, idade, sexo, baixa escolaridade, depressão e alterações genéticas, os quais podem ser também responsáveis pelo aumento da incidência da doença.
“O rápido envelhecimento populacional brasileiro ocorrido nas últimas décadas, fruto da transição demográfica, produziu mudança na pirâmide etária brasileira, com o aumento da expectativa de vida. Paralelamente à transição demográfica, observa-se mudança nos padrões de morbimortalidade, com predomínio das doenças e agravos não transmissíveis (DANT). As doenças cardiovasculares e neuropsiquiátricas passam a ocupar lugar de destaque, tornando-se rapidamente um problema de saúde pública, particularmente as demências, pelo grande impacto na população idosa”. Assim começa o artigo intitulado Doença de Alzheimer: estudo da mortalidade no Brasil, 2000-2009, em que dois autores, mestres em Gerontologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Jane Blanco Teixeira e Joelma Higa, também são autoras.
O artigo, resultado de uma pesquisa, aponta que a doença de Alzheimer é o tipo de demência que mais prevalece entre os idosos no mundo. Foi publicado no volume 31, número 4, da revista Cadernos de Saúde Pública da ENSP, e traz ainda como autores: Mariza Theme, em parceria com Paulo Roberto Borges de Souza Junior, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).
De acordo com os autores, este é o primeiro estudo de abrangência nacional sobre a mortalidade por doença de Alzheimer no país. A doença de Alzheimer é “a principal causa de dependência funcional, institucionalização e mortalidade entre a população idosa, e associada a vários fatores de risco como doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e hiperlipidemia”. Esclarecem, no entanto, que outros fatores podem ser responsáveis pelo aumento da incidência da doença, como idade, sexo, baixa escolaridade, depressão e alterações genéticas.
A pesquisa utilizou dados de base populacional, com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), do Ministério da Saúde, quanto a evolução na mortalidade por doença de Alzheimer, no período de 2000 a 2009. Foram calculadas as taxas de mortalidade padronizadas por idade e sexo nas capitais brasileiras, observando-se a variação percentual por meio de ajuste por regressão exponencial.
Nesse período, assinalam os autores, “foram registrados 1.505.326 óbitos na população de 60 anos e mais, residentes nas capitais brasileiras, dos quais 0,4% teve a doença de Alzheimer como causa básica e 0,8% como causa mencionada na DO. Considerando o conjunto dos óbitos por doenças do sistema nervoso central em 2009, a doença de Alzheimer codificada como causa básica de morte representou 65% dos óbitos entre as mulheres e 51,1% entre os homens.” O grupo etário de pessoas com 80 anos ou mais apresentou 15,5% entre as mulheres e 14% entre os homens, e a faixa etária de 60 a 79 anos, a elevação foi de 8,4% entre as mulheres e 7,7% entre os homens.
Dados que levaram os autores a afirmarem que “a compreensão do aumento da mortalidade por doença de Alzheimer nos defronta com grandes desafios. Se por um lado, o envelhecimento populacional, a oferta de métodos diagnósticos e a melhor capacitação profissional para o diagnóstico da doença justifiquem seu aumento, a redução da prevalência dos principais fatores de risco, o persistente estigma da doença e a visão de que ela faz parte do processo natural do envelhecimento, atuariam em sentido oposto”.
Outros estudos
Um dado interessante é que o crescimento da mortalidade por doença de Alzheimer tem sido descrito em países de alta e média renda. Na revisão sistemática sobre incidência, prevalência e mortalidade por doença de Alzheimer, os autores encontraram que na China, “a carga da doença neste país está subestimada e que a velocidade de crescimento real é 20% maior do que as estimativas das agências internacionais de saúde”.
Eles encontraram outro estudo realizado em dez países desenvolvidos (Austrália, Canadá, Itália, Holanda, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Japão e França), onde as informações sobre dados vitais são de melhor qualidade, verificando também incremento da mortalidade. Esse estudo atribuiu as mudanças no comportamento da doença mais a fatores epigenéticos do que ao aumento da longevidade.